sábado, 7 de maio de 2016

MAIS GIZ, CULTURA, ESPORTE, LAZER E MENOS BALA



Trabalho há mais de uma década com jovens marginalizados e observo que a condição objetiva para a garantia dos direitos fundamentais deles é cada vez mais débil. Tal debate obviamente não traz audiência porque a maioria das pessoas acha que alguns problemas sociais estão muito distantes delas e com isso são vítimas de discursos fáceis que pregam a criminalização, o recrudescimento da lei penal e de execução penal, a redução da maioridade penal dentre outras estórias da carochinha. Fato é que a guerra civil que vivemos no Brasil só aumenta e suas vítimas são cada vez mais numerosas.

Sou pela descriminalização e regulamentação do uso das “drogas”, entretanto, esse é um debate, que numa sociedade arcaica como a nossa, não encontra terreno fértil para se desenvolver. Portanto, sob uma outra perspectiva tenho observado avanços no sentido análogo ao proposto pelo método da redução de danos.

Sou atleta amador e consegui observar os benefícios que a prática esportiva me traz. Nesse sentido desenvolvi um projeto piloto e tenho obtido bons resultados através da prática esportiva. Esses resultados são: melhora da autoestima dos jovens; redução no uso de substâncias psicoativas ilícitas e “lícitas”; desenvolvimento de uma base para vislumbrarem projetos de vida alternativos ao processo de marginalização/criminalização.

Resolvi buscar entender um pouco mais o que está acontecendo e aqui compartilho minhas impressões.

Primeiramente observei que o cenário é grandioso, mas não desisti diante do gigante. Segundo dados do Relatório Mundial sobre Drogas da ONU, cerca de 5% da população mundial, uma média de 243 milhões de pessoas, usa drogas ilícitas. No mundo a “droga ilícita” mais usada é a maconha e no Brasil também. Entre os adultos brasileiros “a estimativa da agência é que 2,5% na população usou cannabis nos últimos 12 meses, percentual que sobe para 3,5% entre os adolescentes”, isso significa milhões de brasileiros.

                Não tenho acesso a possibilidade de efetivar exames laboratoriais, mas é evidente naqueles que participam, a melhora nos aspectos: afetivos e de vinculo socioeducativo, da sociabilidade, melhora nos padrões de sono e no desempenho ocupacional.

                Os treinos de corrida, com respaldo médico, exigem melhoria continua da capacidade física e mental dos participantes. Sabe-se que a endorfina é eliminada durante o exercício aeróbio, também sabe que o abuso de substâncias psicoativas interfere na capacidade do organismo de produzir e reconhecer as substâncias químicas que nos permitem sentir prazer, felicidade e satisfação. Durante os exercícios aeróbios são liberadas endorfinas naturais ao sistema, o corpo atinge sua capacidade de regular a química do seu próprio cérebro e o humor de forma autônoma.  Portanto, tenho observado que o treinamento esportivo, de corrida, é potencialmente uma ferramenta pedagógica no processo socioeducativo proporcionando uma melhora no humor geral do socioeducando,  autoconhecimento e autoestima, diminui os níveis de “estresse”, depressão, ansiedade e traz o aumento do vínculos positivos entre os participante.

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